Recesso de fim de ano

Atenção!

As duas unidades da Rousi Molduras entrarão em recesso a partir do dia 22 de dezembro 2019 e retomarão as atividades no dia 6 de janeiro de 2020.

Informamos os clientes que possuam trabalhos para serem retirados ainda este ano que o último dia de abertura será dia 21 de dezembro.

Também informamos aos clientes que pretendem utilizar nossos serviços que, dependendo do volume de trabalho, caso deixem para vir somente na semana entre os dias 16 e 21 de dezembro, não temos como garantir a entrega ainda este ano.

A arte de emoldurar

Por que escolhemos as imagens que escolhemos?
Por que as colocamos em lugar de destaque nos espaços que habitamos?
Que relações estabelecemos com a contemplação cotidiana dessas imagens?
Há algo revelador nestas questões.

A percepção e o valor de uma imagem se modificam essencialmente se ela é um papel meramente colado na parede ou algo cuidadosamente emoldurado. É como o corpo e a roupa. Relações de complementariedade.

A prática de emoldurar está intimamente ligada à história da arte e ao próprio reconhecimento do que é arte ou, num sentido mais amplo e contemporâneo, das imagens que escolhemos destacar em sua imanência e transcendência.

Desde a Antiguidade, foi na Arquitetura que as pinturas e entalhes encontraram os ornamentos, muitas vezes indissociáveis das próprias obras. Seja como representação simbólica, ilustração, narrativa visual ou elemento decorativo, o trabalho dos grandes criadores buscou sempre como destacá-los.

A arte sacra, com seus altares, retábulos e painéis, elevou a arte de emoldurar a patamares inacreditáveis de sofisticação e técnica. As cortes europeias e a burguesia que as acompanhou e sucedeu promoveram esse recurso ao limite, como símbolo de status e magnitude, inaugurando o caráter moderno da arte.

A moldura, como elemento da arte, ainda que coadjuvante, demarca o espaço, direciona o olhar, destaca, contextualiza ou contrasta a substância das obras, como um recurso estruturante. Mesmo com a flexibilização dos suportes que marcou o século XX, o papel da molduraria continua, mais do que nunca, relevante, ao dialogar com as tendências e projetos de arquitetura e design.

Enquanto isso, a reprodutibilidade mecânica e a replicação digital das imagens não foram capazes de destituir a aura que a obra de arte original carrega, mesmo que seriada em tiragens limitadas. Pelo contrário, com a banalização das imagens, essas escolhas se tornaram muito mais relevantes e significativas, conferindo exclusividade e sendo capazes de dar personalidade e ocupar lugar importante nas relações que estabelecemos com os objetos que, mesmo depois da virtualização de quase tudo, continuamos a guardar.

Curadores, colecionadores, arquitetos, designers de interiores e decoradores cada vez apostam na revalorização da insubstituível experiência de incorporar obras de arte originais a seus projetos, bem como harmonizá-las com a diversidade de recursos da molduraria. E, por sorte, o contemporâneo trouxe uma maior democratização no acesso à obra de arte, antes restrita às igrejas, palácios e museus.

O dia a dia de uma loja de molduras revela, nas escolhas de cada pessoa, as identidades, personalidades, afetividades e a dimensão simbólica de nossa época, de nosso modo de vida e, portanto, de nossa cultura.

Em uma era de reproduções que desbotam e se esvanecem com as mudanças do tempo, faz todo o sentido resgatar a exclusividade, o prazer, a conexão que uma obra de arte original possibilita e emoldurá-la a contento. Mais do que nunca, aquilo que nos torna humanos e únicos estará fixado nas superfícies que habitamos.

Ric Peruchi